Há vários textos nas cartas dos apóstolos que nos dão indicações e ensino sobre o batismo. A maioria desses textos fala das realidades espirituais que estão associadas ao batismo sem dizer claramente o que é o batismo.
Mas o texto de Gl 3:27 lança luz sobre o assunto. “porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes”. Os apóstolos não viam apenas um batismo nas águas, mas um batismo em Cristo. Era mais que um símbolo, porque aquele que se batizava, pela fé era unido a Cristo, mergulhado em Cristo, enxertado em Cristo e revestido de Cristo. Alguém poderia perguntar: Mas o que nos une a Cristo não é a fé? A resposta é sim. Mas o batismo foi a maneira que Jesus determinou para essa fé expressar-se e consumar-se. A água do batismo não tem nenhum poder em si mesma.
Se alguém que não creu, nem se arrependeu (ou também uma criança), entrar nessa água, não acontece nada.
Mas se alguém desce a essas águas com fé, pela fé é unido a Cristo Jesus. Muitos na igreja hoje pensam que há duas realidades separadas: Uma realidade espiritual interior e um sinal exterior que não passa de um símbolo. Quando a pessoa crê, é unida a Cristo.
Depois vêem o batismo como um símbolo do que já aconteceu. Por isso demoram tanto para batizar os novos. Mas os apóstolos não viam assim. Eles viam que juntamente com o sinal exterior operava uma graça interior pela fé daquele que era batizado. Por isso tinham tanta urgência. A igreja hoje trocou o sinal exterior que Jesus estabeleceu por outros sinais como: “levantar a mão” e “ir a frente”.
Outro texto que também lança luz sobre o assunto é Rm 6:3 É interessante notar que aqui Paulo fala de duas coisas: uma que os romanos já sabiam, outra que talvez ignorassem.
O que eles já sabiam? Que haviam sido batizados em Cristo (essa é a essência do batismo). O que eles ignoravam? Que, como conseqüência estavam mortos com Cristo (essa era uma das verdades associadas ao batismo). Muitos têm ensinado que o batismo significa morte e ressurreição com Cristo. Isso tem boa dose de verdade, mas confunde um pouco o próprio batismo com as suas conseqüências. O batismo é basicamente uma coisa: UNIÃO COM CRISTO; SER MERGULHADO NELE. A morte do velho homem e a ressurreição de uma nova criatura são conseqüências de sermos unidos a ele.
Enumeramos abaixo, todas as realidades espirituais que estão diretamente associadas ao batismo.
1) A morte de Jesus é a nossa morte. Portanto, estamos mortos para o pecado (Rm 6:3,4,6 ; Cl 2:12 ; 3:3); para o mundo (Gl 6:14) e para a lei (Rm 7:4 ; Gl 2:19).
2) A sua ressurreição é a nossa nova vida para servirmos a Deus (Rm 6:4,8,11; 2Co 5:17 ; Efs 2:5,6 ; Cl 2:12).
3) Sua exaltação é a nossa vitória sobre todas as potestades (Efs 1:20-23 ; 2:6). Embora estes textos não se refiram ao batismo, é evidente que a nossa posição é nele. E foi no batismo que fomos colocados nessa posição.
4) Temos o perdão dos pecados (At 2:38).
5) Somos lavados e purificados (At 22:16). Aqui caberia a pergunta: Mas o que nos purifica do pecado é o batismo ou é o sangue de Cristo? Certamente que é o sangue de Jesus. Mas quando? Quando somos unidos a ele pelo batismo.
6) Somos salvos (Mc 16:16 ; 1Pe 3:21).
7) Somos introduzidos no corpo de Cristo que é a igreja (1Co 12:13). Quando estávamos no mundo, éramos independentes de Deus e independentes dos homens (ninguém tinha o direito de se meter em nossa vida). Agora, não nos tornamos apenas dependentes de Deus, mas também da sua igreja (Submissão de uns aos outros).
Conclusão:
Deus quer realizar uma grande obra em nós. Mas ele não faz nada em nós, se estamos separados de Cristo Jesus. Deus não nos trata isoladamente. Toda a obra que Deus tem para fazer em nossas vidas é em Cristo. Ele nos colocou em Cristo e toda experiência dele se tornou a nossa experiência. Como podemos aniquilar a velha natureza? Não podemos. Mas Deus crucificou o nosso velho homem com Cristo. Como podemos produzir uma nova vida? Não podemos.
Mas Deus nos deu vida juntamente com Cristo. Como podemos vencer a satanás? Em nós mesmos é impossível, mas Deus nos colocou assentados nos lugares celestiais (acima de satanás) em Cristo Jesus. Toda essa tremenda vitória é possível porque nós fomos batizados em Cristo Jesus.
Algumas colocações finais:
A fé e o arrependimento são condições indispensáveis para o batismo ( Mc 16:16; At 2:38). Por isso não devemos batizar crianças.
Se alguém pergunta como o ladrão da cruz foi salvo sem ser batizado, a resposta é que Deus pode abrir as exceções, mas nós não temos essa autoridade.
Se você encontra algum irmão que crê ou pratica de uma forma diferente sobre o batismo, você deve recebê-lo como irmão. O que ele faz, o faz porque crê assim. Ele age conforme a sua consciência. É uma questão de fé e não uma questão de vivência ou de pecado. Devemos portanto recebê-lo como irmão.
Ninguém pode se batizar “de novo”. Se alguém crê que o seu batismo não foi válido (porque era uma criança, ou porque não havia verdadeiramente se convertido), então não foi batizado, foi molhado. Deve portanto se batizar.
Se alguém diz: “Mas eu conheço casos de pessoas que não foram batizadas e vivem em santidade”. Ou então diz: “Mas Lutero era um homem de Deus e cria em seu batismo infantil”. Nossa resposta deve ser que não podemos nos dirigir pela experiência dos homens, mas pela palavra de Deus.
Quanto à questão de que só os pastores é que têm autoridade para batizar, entendemos pelas escrituras que Jesus deu essa autoridade a todos os discípulos. Todos são sacerdotes (2Pe 2:9,10). Temos autoridade não apenas para ir e pregar, mas também para batizar e ensinar a guardar todas as coisas que Ele ordenou (Mt 28:19,20) ; (Jo 4:1,2) ; (1Co 1:13-17).
MATERIAL EXTRAÍDO DA APOSTILA "OS PRINCÍPIOS ELEMENTARES"